16 maio 2008

A slut............... me.


16 de maio

pros.ti.tu.ta
(lat prostituta) sf: Mulher que se entrega à prostituição; meretriz, rameira, puta.
A vista do Boulevard d’Arcole no entardecer sempre me fazia pensar em me mudar de vez pra lá. Aline uma amiga do colégio que morava entre este e o Boulevard Matabiau, junto com a minha dupla cidadania francesa, foi a solução para a minha providencial fuga da condição de pobre; na verdade eu não ficaria pobre mas, com certeza, eu passaria por momentos de privações materiais... e eu não estou acostumada a esse tipo de sacrifício. Papai perdeu muito dinheiro na BV, e depois com um advogado nem um pouco escrupuloso. Ele (o meu pai) até tentou me mostrar que isso me faria crescer como pessoa e que muita gente perde coisas materiais, mas não os morais e nem o conhecimento para adquirir tudo novamente. Hoje ele está, como previsto, muito bem financeiramente.
Lembro que tomávamos café (ai, fortíssimo) na rue de la Colombette (bom... bem podia ser a rua Gabriel Péri, que vem do cemitério) quando fui apresentada a Jacques (Lintgens), o meu negão querido, meu primeiro Dono........ *rs*.......... antes mesmo de ter conhecimento sobre Dominadores e submissas. Depois de um tempo com Aline, o meu dinheiro acabou e foi ele que me socorreu: eu saia com uns amigos dele, que gostavam de ‘brunettes’, e eu teria um dinheirinho pra ir me mantendo até arrumar algum emprego que eu pudesse me ajeitar.
No início eram homens jovens e bonitos (chatos, mas bonitos), mas depois apareceram os gordos, os babões, os problemáticos.
A Confraria é um clube onde grandes empresários, políticos e personalidades que se presenteiam com fantasias sexuais... muitos são adversários ferrenhos na mídia e colunas sociais, mas se mostram muito mais íntimos e amigos em ocasiões como essas.
Fase 1: Roteiro.
Eu ia ao escritório do Boss e recebia as instruções de vestuário, cabelo e maquiagem, performance, fundo musical, preferências do presenteado... apelidos, carícias, e outros quesitos que eu deveria me atentar para deixar ele (ou ela) completamente satisfeito e proporcionar um encontro agradável.
Fase 2: Preparação.
Ainda que a performance fosse ‘normal’, o dia transcorria com todos os tipos de preparações possíveis. Imagino que seja como o Dia da Noiva.......*rs*...... massagem, óleos perfumados, algumas vezes eu fazia bronzeamento artificial, a roupa já estava entregue pela estilista e uma equipe externa preparava o local (fosse um quarto de hotel ou até na casa do próprio 'usuário').
Fase 3: A performance.
Já fiz muitas coisas estranhas, mas vou colocar o mais usual...As luzes, o perfume ambiente e a música já esperavam pelo presenteado que, normalmente, ficava me esperando sentado numa poltrona (quando era em um hotel, por exemplo). Ele era recebido por uma ‘mestre cerimonial’ pra que pudesse se instalar, beber ou fazer algum pedido. Depois ela me dizia pra entrar... eu aparecia, dançava e começava um strip-tease; podia estar somente eu, ou alguma outra que fizesse parte do pacote também... aí interagíamos juntas para ele. Eu me insinuava e, como previamente já me fora colocado o gosto pessoal dele, era por onde eu ia direcionando a noite. Às vezes, saia tudo completamente fora do esquema... já viu, né... homens!!!? Sei que eles faziam comigo algumas coisas que, eu acho que não fariam com outra mulher, até mesmo outra que fosse paga também; e isso porque eu me tornava muito íntima deles... por conhecer muitos gostos e hobbies (muitas vezes eu estudava sobre alguns assuntos antes do encontro) eles conversavam comigo e me revelavam segredos (eram tão inusitados que eu só posso acreditar que ninguém inventaria coisas tão estranhas................*rs*).
Fase 4: Recebimento.
O dinheiro era transferido pra minha conta já no dia seguinte;embora muitas vezes eu já ia pra casa com um presente que alguns traziam pra mim... acreditem: alguns queriam somente a mim.
O esquema: A pessoa que presenteava escolhia a fantasia do outro e era também quem pagava por todo o serviço na certeza de que, quando fosse sua vez dele, ele também ficaria satisfeito. Éramos em 08 meninas e tínhamos um ou dois encontros por semana. Se alguém machucasse uma de nós, ele seria expulso da Confraria... além de arrumar briga com pessoas muito poderosas que nunca deveriam ser expostas.
Nós tínhamos requisitos básicos: falar línguas, sermos todas educadas, bonitas, com cultura, saber conversar com quem quer que fosse (até com as esposas), portar-se com etiqueta nos compromissos sociais que, algumas vezes, antecediam nossos encontros sexuais; e, claro, jamais falar algo desses encontros.
Quase todos meus amigos que figuram aqui no blog já sabiam desse meu passado que não faz mais parte da minha vida. Gostava, não nego................ ganhei muito dinheiro e conheci pessoas muito interessantes, gentes estranhas, personalidades com gostos esquisitos... e isso é o máximo que falo da Confraria.
Um amigo meu ficou indignado por eu estar negociando com um Dom italiano, para serví-lo quando eu for pra lá visitar um outro amigo querido e baunilha. A indignação dele foi tanta que eu me senti ameaçada de perder sua amizade... espero que ele veja, e entenda, que eu não tenho jeito. Sou uma puta.
Quanto ao Dom italiano, quero que ele saiba quem eu sou... e o que ele pode esperar de mim, ou seja, não muita coisa.
Beijos, Signore
...

03 maio 2008

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03 de maio
Um recomeço....................

http://www.youtube.com/watch?v=LpYj_sI79v8
É preciso saber viver
(Roberto Carlos e Erasmo................. !!!
Com os Titãs, ela ficou ótima. *rs*)

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver

02 maio 2008

Sede de vida................


02 de maio

A Água
(Manuel Maria Barbosa du Bocage)


Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.


Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.


Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho


Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber ás fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.