19 outubro 2007

Putinha vadia, esteja a Minha espera...


19 de outubro - parte II

"Putinha vadia,
esteja às 13h em ponto em frente ao (o nome de um restaurante italiano) da R. Joaquim Antunes.
Quero você vestida com o meu presente e somente um vestidinho preto por cima, maquiagem discreta, poucos acessórios e perfume suave. Salto alto, cabelo preso... uma BMW a pegará.
Aguarde!

D. Concchobar."

Estas foram as ordens escritas no cartão que vieram com as flores e um presente... uma lingerie de cetim com poucos detalhes, somente algumas costuras pra realçar as curvas, uma cinta liga e um par de meias 7/8... tudo preto. Embora eu prefira o branco, Ele gosta de me ver toda de preto.
Às 13h, estou no local combinado. A espera... me mata... Os minutos... não passam. Será que era esse mesmo o lugar? Era... Espero... Aflição... Inquietude...
Às 13h25, mais ou menos, um carro pára e a porta do passageiro traseiro se abre para a calçada.
Caramba... será que este é o contato que eu espero? (nessas horas de puro nervoso... tudo parece estranho). Vou vacilante até ele... minhas pernas quase não me obedecem mais... Seu interior parece vazio.
"Entre... Ele está a sua espera", escutei. Entrei.
"Aí, do teu lado... tem uma venda... achou? Coloque... e nem pense em me enganar, mocinha". Coloquei.
"Vai, amarra forte". Obedeci, mas ele veio conferir, mesmo assim.
Depois disso sei que andamos muito. Teria dado para atravessar São Paulo inteira na hora do rush e o nosso destino parecia não chegar nunca; de repente, o carro desacelera. Acho que chegamos...
"Sai do carro e nem pense em tirar a venda". Saí e fui levada, por alguém, até o Dungeon... lugar que eu conheceria muito bem, e que eu ficaria familiarizada.
A claridade diminuiu muito por baixo da venda... senti um cheiro forte de velas aromatizadas. Silêncio. Eu não tinha coragem, sequer, de me mexer... fiquei tentando desvendar o lugar com os sentidos que me sobravam, e com os quais eu me permitia usar...
Os sons chegavam somente pela porta aberta atrás de mim e a temperatura caira. Parecia um salão grande, ... mas minha curiosidade foi menor que o meu receio de fazer algo errado.
De repente, a porta se fechou... o meu coração, já disparado, quase saiu pela boca.
"Ora, ora, ora... enfim apareceu a minha putinha...". A voz eu conhecia... era a Dele.

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