21 de novembro
-Me limpa, cadela.
Ele estatelou ao meu lado naquela cama dura... e eu comecei a tateá-lo para chegar até Seu membro inerte e comecei a lambê-lo, a abrí-lo, a limpá-lo dele mesmo. Quando terminei, e ainda com o rosto próximo ao Seu corpo, fui subindo em direção ao Seu peito... poucos pêlos, tórax forte, músculos proeminentes, um homem que se cuida, cheiroso, macio... cheguei em Seu rosto, o queixo... não tive coragem de continuar meu reconhecimento. Procuro seu ombro... deito... aconchego... descanso...
Depois de um tempo, Ele ergue os braços se espreguiçando, eu me levanto e sento ao Seu lado. Sinto que Ele levanta também, e também se senta... e uma boa surpresa: Ele me retira a venda dos olhos.
Abro-os devagar... vejo Seus olhos me fitando. Senti vergonha! Vergonha Dele ter me visto gozar, e eu não; vergonha de ter sido oferecida, tão disponível, tão desfrutável; vergonha de ter sentido tudo isso, e gostado. Agora Ele me olhava, e eu não conseguia sustentar esse olhar. Abaixei minha cabeça.
Senti que Ele se levantou e começou a andar... olhei à minha volta... nossa!... que lugar... agora (somente agora) eu me dava conta de onde estava... um dungeon... uma masmorra. As coisas que vi me deixaram completamente sem ação, nunca poderia imaginar que existisse, dentro da cidade de São Paulo, dentro de uma mansão no Morumbi, uma masmorra... de verdade.
O salão era alto e tinha um nível mais alto, o da entrada, onde ficavam dois sofás de couro... enormes, confortáveis. Em um deles eu subi (e tive medo da descida...*rs*), o piso era de madeira, inclusive os degraus... dois... que separavam os ambientes 'social' do de 'serviço'. O social tinha iluminação própria, tinha a porta, pesada, de entrada, o conjunto de sofás e um móvel que aparava diversas bebidas. Diferentemente, o outro ambiente era formado por um piso de cimento... simples e gélido, mas mantinha o mesmo estilo de decoração meio medieval... armaduras, castiçais, cortinas pesadas, vermelhas...
Quatro grandes aberturas, em forma de arcos preenchidos por vidros até o chão, ligavam visualmente o lado direito da masmorra ao jardim, com muito verde, flores e espaços diferenciados. Neste piso ficavam os aparelhos de tortura, além de uma mesa arcaica e rústica, com oito cadeiras igualmente antigas e pesadas... bem próximas dos sofás.
Os aparelhos: a cama de tatami, onde eu me encontrava; a teia de aranha (uma cama formada por quatro troncos, cujos estrados eram correntes entrelaçadas formando o desenho de uma teia de aranha); a jaula (uma gaiola circular com cerca de 1,50m de diâmetro, incrustada numa base de madeira); o extensor (outra cama esquisita, cheia de manivelas... em seu funcionamento, ela estica as pernas e os braços em direções opostas); cavaletes (peças de madeira, em formato de cavaletes mesmo... alguns forrados em couro macio, outros crus... sem forração e com os cantos vivos); a mesa com a estante de acessórios, em local de visão privilegiada, expunham todos os acessórios de tortura: chicotes de vários formatos, materiais e texturas, cores diferenciadas, espéculos, canes de vários calibres, velas, ganchos, plugs, presilhas, correntes, cordas, lãs e linhas, cadeados, cintos de vários formatos e coisas que eu acho que eram cintos, baldes, algemas, vibradores, pedaços de madeira que mais pareciam tacos pequenos, mangueiras finas... uma infinidade de apetrechos de sex shop); na parede defronte à entrada do dungeon, uma poltrona que mais parecia um trono... desses antigos, ladeados por tochas ainda apagadas e com dois tapetes... um de cada lado.
Vejo que Ele, nu e de costas, se dirige ao trono e se senta.
-Vem, cadela!
Comecei a me levantar e me dirigir em Sua direção, mas somente o Seu olhar reprovador fez com que eu fosse ao chão... novamente de quatro, novamente cadela.
Engraçado como aquele homem pelado, lindo, e sentado tão displicentemente naquela cadeira horrorosa tinha esse poder sobre mim... eu O obedecia... parecia instintivo... fui engatinhando, rebolando.
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