Eu não sei quanto tempo eu fiquei ali, presa naquela estrutura de madeira........... mas a sensação eu me recordo muito bem, e foi horrível. Hoje, sabendo tudo que eu sei sobre Dominação, consigo entender um pouco o que Ele quis fazer comigo... mas naquele dia, não... sentia-me completamente entregue e largada à minha sorte, que não parecia muita.
O dia escureceu rápido, e as sombras pareciam se movimentar. (Poderiam ter baratas naquele lugar. Não seria nem um pouco difícil... e se elas resolvessem subir a minha perna? Eu atraio esses bichos... elas não podem me ver, ou sentir meu cheiro que vêm todas correndo pra mim. Ugh!!!) E a casa parecia ter barulhos próprios... era um TUM aqui, outro ali... se eram imaginários, eu não sei... poderiam ser produzidos pelo meu próprio medo, reconheço.
A porta estava aberta!!!!
Isso não era bom. Além de ser uma saída do calor de dentro, era também uma entrada para os cachorros... nessa altura eu já podia ouví-los latindo lá fora. Só faltava isso. Tenho pavor de cães............ principalmente os grandes, feios e bravos... e isso era tudo que eles pareciam ser. Será que Ele iria demorar? Toda a região da minha púbis, e coxas, e pernas estavam começando a doer. Eu conseguia escorar o corpo em uma perna e ficar com a outra um pouco levantada, e ia revezando... até que as coxas, onde eu me apoiava, começaram a doer de verdade: a quina da estrutura era forrada com uma camada fina de couro, e com o tempo ela parecia que ia cortando a carne. Eu mal conseguia ficar numa posição por mais que um minuto ou dois......... e por que Ele me deixou aqui sozinha? Afinal eu era quase uma visita, se assim pode-se chamar... por que não deixou aquela maravilhosa comigo? Deviam ter ido jantar de verdade. Ela não gostou de mim... pude sentir. Eu sabia que Ele tinha outra escrava, no contrato rezava isso, mas lá não dizia que ela também me usaria. Aliás, por falar em contrato........... cadê a porcaria da safe-word??? Quando eles chegassem eu exigiria a minha............ mas o tempo não passava. Tudo bem... sou resistente. Vou agüentar... e tentava não pensar em nada.
O meu corpo... já não sentia mais as coxas porque era tudo uma dor só... não importava se eu apoiasse de um lado ou do outro. Não era hora de pensar em família, mas pensei no meu pai e no seu desgosto se me visse ali... pensei nos meus irmãos... pensei na minha situação como um todo: a Confraria e o dinheiro que ela me proporcionava, os homens, as fantasias... pensei no D. Concchobar que tinha um ‘quê’ de atraente, sem dúvida...
Eu começava a pensar na refeição que fizemos. Tudo bem que eu não contei antes... mas foi muito humilhante: Ele me fizera comer de quatro, numa tijela de cachorro, e acho que estava usada (por um cão, naturalmente) porque tinha os furinhos dos dentes em toda lateral. Não acredito que fiz isso. “Isso... com o rabão todo aberto pra mim”, como Ele mesmo disse. E ela? Ela, não. Sentada ali somente ao seu lado. Ai, que ódio........... e o pior ainda estava por vir: estava me dando vontade de ir ao banheiro.
Comecei a querer pensar em tudo e em nada também, mas o meu pensamento voltava sempre pro banheiro (que estava mais longe do que nunca) e as dores no meu corpo ainda pioravam a sensação. Parecia que eu não ia conseguir segurar muito tempo.
Ridículo!!! Era ridículo!!! Eu não queria pensar, mas não conseguia......... e aquela maldita dor que não me deixava mais segurar... era uma mistura de adrenalina, cansaço... de repente, mesmo prendendo ao máximo o que meus músculos me permitiam, senti o líquido quente escorrer pelas pernas.
Meu mundo acabava ali!

Um comentário:
Aguardando, de maneira ansiosa, o fim desse seu relato. Quero saber que uso ele deu a você, quando retornou, e que castigos sofreu, quando reclamou ao seu senhor.
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