07 julho 2010

A Banheira


07 de julho

Venho tendo muitas lembranças desde que me predispos a escrever. É a minha caixinha de Pandora: mas não sairam os males da humanidade... somente os meus próprios.

Tem um amigo meu, que nunca me falou, mas sei que ele acha esse negócio de escrava e Dominador muito fantasioso... não o recrimino... isso é daquelas coisas na vida que parece meio surreal. É como o mundo da prostituição... que, aliás, eu também conheço bem... (quem me conhece um pouco melhor sabe sobre as margens do Boulevard Matabiau, nas imediaçoes da passarela da François Collignon). Esta foi uma época bem difícil, eu vi muitas coisas de submundo mesmo, e a coisa toda era muito hard... em contrapartida à Confraria, que era um serviço de luxe que oferecia poucos riscos.

Igualmente foi a minha submissão: teve momentos leves, superficiais, divertidos... e os outros: de medo, muita dor e quase uma desesperança por completo. Desenvolvi uma depressão depois disso; e aqui, em Redmond, o médico que me atendeu disse que isso pode ter ajudado a desencadear uma labirintide... junto com o frio intenso do inverno daqui.

Bem... mas eu parei há uns dois anos atrás... ainda na minha primeira e inesquecível sessão... tem tanta história depois disso... *rs*... acho que não vou conseguir chegar nos dias de hoje nunca...

O Banho do Homem.

A banheira era grande, a água estava quente e a espuma tinha quase uns 20 cm de altura... perfeita! Eu não sabia se entrava junto com ele ou não... esperei. “Faz um streap pra mim.” ,escutei.

Streap!!!?? Eu estava praticamente nua!

Virei de costas... eu, minha cinta-liga, minhas meias, meus sapatos e a minha coleira. Comecei a dobrar os joelhos e arrebitar a bunda e comecei a raspar em minha nuca uma echarpe invisível. Virei rápido e atirei-a para o lado... finji que desabotoava uma blusa, depois um soutien... fui tirando tudo devagarinho e insinuando meus seios... depois fui em direção à banheira com eles entre as mãos... eu me virei novamente... sempre rebolando, insinuante... foi a vez de ‘tirar’ a parte de baixo... abri o zíper, fui descendo devagarinho, olhando, virando, tirando... tudo como se um short existisse mesmo... para passar pelas pernas, arrebitei o máximo que podia e deixei as pernas esticadas. As meias, pelo menos estas eram reais, eu tirei abaixando com a perna na beirada da banheira... ele parecia empolgado, apesar da cara um pouco impassível... eu percebia seus olhos me varrendo toda. Quando a meia chegou no sapato, tirei os dois. A cinta foi a última peça porque a coleira eu sequer cogitei em tirá-la.

Fui avaliando, conforme ia fazendo, no que mais eu poderia seguir... pensei em entrar na água com Ele e lhe fazer uma massagem. Bem devagar... sentei na beirada... passei uma perna pra dentro, olhando pra Ele... passei a outra, fui me abaixando... ai, que água gostosa e quent.....

“Não molhe a coleira”, e eu quase dei um pulo pra cima... enrolei a guia envolta do meu pescoço e me atentei para que sequer a espuma encostasse nela. Entrei atrás dele... fiquei sentada no beiral da janela, com uma perna de cada lado dele... fui massageando suas costas, seu pescoço, seus braços, o peito... simplesmente tenho fascínio por braço de homem... ainda mais assim: grande, forte, másculo. Fui molhando sua cabeça e movimentando seu couro cabeludo.

Passei pra frente dele... e me arrisquei: eu me sentei em uma perna, na coxa. Ele não disse nada. Estava de olhos fechados e com a cabeça jogada pra trás. Fui massageando seu peito com mais vontade agora, passei pros braços, que estavam abertos e, conforme ia me esticando para alcançá-los, ia me esfregando no seu corpo. Não sei quanto tempo ficamos assim, até que eu achei que podia mexer entre suas pernas, e foi aí que tudo deu errado.

Eu senti minha cabeça bater no fundo da banheira: Ele simplesmente me afundou... com tanta violência e rapidez... e eu, que não esperava isso, entrei em pânico. A posição que eu fiquei também não ajudava em nada, porque eu me dobrei sobre meus joelhos, e eu já começava a engolir água, foi automático, eu queria respirar. Quando Ele me subiu, a impressão que eu tinha é que eu não conseguia respirar do mesmo jeito... eu tossia com força, e ainda assim não entrava o ar... achei que ia desmaiar, e alguma coisa ainda apertava minha garganta... a coleira, claro... foi quando senti umas batidas nas costas e a água saindo. Aos poucos eu sentia minha garganta abrir e acho que Ele falava comigo, mas eu nem ouvia... aos poucos, o ar... fui me controlando e tentando me concentrar em respirar... devagar! Ainda tossi muito e tremia demais, mas o ódio que me deu foi tão grande, mas tão grande, que eu não pensei duas vezes... soltei a beirada e pulei no pescoço dele... acho que o peguei de surpresa porque vi depois os arranhões que eu tinha feito. Ele segurou meus braços e, mesmo com o peso da água, tentei chutar e bater e o que eu conseguisse fazer... fui pra debaixo da água de novo, mas só o tempo de me desesperar pra subir.

“... mas você é uma puta vagabunda mesmo... Quem você acha que é pra querer achar que pode decidir alguma coisa aqui? Hein?”, ele falava alto comigo. “... mas não tem problema... eu vou te domar, cadela.” ... e seguiu me xingando.

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