28 fevereiro 2008

Louise Marie............ minha.


28 de fevereiro - parte I
Foi no dia 20 de Outubro que eu soube que estava grávida... estava à espera do meu bebê.
Uma situação que me fez ponderar muitas coisas... alguns sentimentos, alguns artigos da legislação cível, até a vontade real de exercer ou não a maternidade... Eu não queria que o pai da criança soubesse (sequer desconfiasse) porque não era a Ele que eu queria pra mim; porque quem eu queria morava em Israel; porque D. Concchobar (o pai, obviamente) me mantinha cativa e sob chantagem, e isso me excitava mas não justificava uma gravidez; porque eu contratara um maldito advogado que me traiu, e por isso fui punida... estuprada por vários homens...
Mas meu bebezinho... a minha bebezinha resistiu a tudo e a todos... até às minhas loucuras. Resolvi que lutaria por ela... não a abortaria, como cheguei a pensar muito seriamente. Papai adorou a idéia de ser avô... e seria a minha Louise Marie, o nome de mamãe, se fosse menina... ele chorou a idéia de tê-la de novo.
Eu nunca me senti preparada pra ser mãe, mas a gravidez começa a fazer parte da vida da mulher de um jeito tão intenso e presente... afinal eu já sentia pequenas alterações no meu corpo (eu emagreci, empalideci de tanto vomitar. *rs*, meus peitos enrijeceram, pesados, minha saliva não me deixava falar, a vontade era de comer o mundo e dormir o tamanho dele. Lorenço dizia que havia mais brilho em meus olhos, que minha bunda se arredondava a cada dia e que meu pensamento já era pra ela). Tudo ainda estava emocionalmente instável em mim mas, conforme o tempo passava, mais eu queria essa mudança na minha vida.
Foi quando o inesperado aconteceu.
Férias. Primeiro Fernando de Noronha, linda, desnorteante, maravilhosa, sedutora... vontade de ficar lá. Depois Angra, na casa do Lorenço. Seu nome é Lorenzo, mas Ele detesta, então o chamo de Lorenço mesmo!
Mergulhos, frio, chuva, água gelada...Eram os meus mergulhos abençoados... no mar e nos meus pensamentos. Amo tanto o mar, que sequer a temperatura me faz ficar longe dele; principalmente quando choro, porque ambas as águas são salgadas... e o mar engole as minhas lágrimas. Eu chorava pelo ^SdA^, pelo amor que eu achava que ele tinha por mim, pela esperança de um dia mudar minha vida, porque Ele, o meu Dono, Ele me conhecia mais do que ninguém... e O perder estava sendo muito difícil, muito humilhante... eu me humilhava e pedia pra voltar, mas Ele já não me queria mais... e pior que as Suas palavras rudes era a indiferença aos meus apelos... eu, muito egoisticamente, pensei só em mim............................
Sábado de Carnaval fomos pra cidade do Rio de Janeiro... Lorenço me achava muito triste, muito deprimida e queria me alegrar; como eu nunca fora à Sapucaí... fomos! Ele arrumou camarote numa empresa do amigo de um amigo *rs*. Realmente, esqueci tudo... sambei demais aquele dia, principalmente na Mangueira. Essa homenageava o frevo, de Pernambuco, de Recife, da terra do meu querido Cid, do meu Dono e Senhor. Eu ainda achava que fosse, ou que voltaria a ser. Hoje............ ah, se eu pudesse mudar as coisas, jamais me envolveria com Ele novamente... jamais me entregaria da forma como fiz. Eu dei o meu coração, muito mais que na primeira vez que eu me apaixonei de verdade. Aquela vez foi um amor por um aviador de Pirassununga *rs*, casado e pai de filhos pequenos... durou pouco, descobri logo... mas com o ^SdA^, eu abaixei todas as minhas defesas, e perdi muito mais do que poderia imaginar... por Ele eu me derrotei, e perdi minha filha.
Antes do final de semana minha pele já demostrava sinais de alteração hormonal eclodindo algumas espinhas no rosto, nas costas, no busto... mas eu não sabia. Já na segunda-feira, quase amanhecida, quando chegamos no apartamento, tive uma pequena perda de sangue... mas foi tão insignificante... no decorrer do dia, tudo ficou normal, sem sangue, sem dor, mas não voltamos ao Sambódromo... eu estava cansada, e assistimos pela TV. Fui dormir cedo, mas o começo da madrugada acordei vertendo sangue... incontrolável, indolor... gritei pelo Lorenço que logo ligou pro resgate. Enquanto ele estava na sala, senti um cansaço descomunal no corpo, um peso enorme e, em seguida, dores, muitas dores, muito fortes... saiam coágulos de mim, e o pânico tomou lugar à razão. Eu gritava mas não conseguia me mexer, acho que tinha medo de me mexer... mas eu me contrai... nem fiz força, foi uma contração abdominal.................... e o meu bebê saiu de dentro de mim.
Fiquei apavorada... tinha acabado de rejeitar a minha meninninha. Foi algo que aconteceu tão de repente... eu gritava e chorava, mas não conseguia me mexer... Lorenço veio correndo e ficou lá, parado, só olhando.
Os médicos cuidaram de nós e levaram ela.
Fiquei internada por três dias... Ele sempre do meu lado... papai também veio. Foi o dia mais difícil da minha vida. O que o médico me disse foi um não sei o quê cromossômico que provocou o aborto espontâneo... sei lá, acho que má formação... não faz a menor diferença agora pra mim. Na verdade eu só fiquei sabendo que era mesmo a minha menininha quando Lorenço confirmou isso pra mim... ele a viu limpinha depois. Eu queria vê-la, mas Ele não deixou...
Mamãe se foi por causa de um câncer de estômago... sofreu tanto que eu, mesmo com 10 anos de idade na época... nunca me lembrei dela como minha mãe. Eu ainda vejo as fotos, os vídeos, mas ela é como uma estranha pra mim... ela não parece a minha mãe, continua sendo uma estranha. Papai quase morreu junto com ela... mas ele tinha a mim, então ele me mimou porque dizia que eu era a cara dela... e eu sempre abusei dele por causa disso. Por ela eu não podia fazer nada... eu era pequena, mas pela minha filha... tenho certeza que a culpa foi minha: eu chorei demais, eu pulei demais, eu tinha que ter pensado nela mas só pensei em mim... eu achei que ela sempre estaria comigo, que seria alguém que eu nunca perderia... que nunca me deixaria... eu seria a mãe dela... uma mãe presente, carinhosa, cheinha de problemas, maas eu achei que tudo seria mais fácil porque eu teria a ela, e ela a mim... pra sempre. Está muito difícil não arriar de vez, não desistir de tudo... porque a minha vontade mesmo era de sumir de vez, de morrer. Primeiro a minha mãe, depois a minha filha... por que eu nãio? Queria tanto elas aqui perto de mim. Tenho me sentido sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sozinha... queria morrer.
EU QUERO MINHA FILHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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